domingo, 18 de dezembro de 2011

Bukowski - Reacionário?

Charles Bukowski é cultuado, quase que religiosamente, pelas pessoas que conhecem o seu mundo sombrio, como é o meu caso, apesar de eu não ter esta fé religiosa, mas isso é outra história. Escritor e poeta americano, radicado em L.A., nascido na Alemanha dos anos 20, Bukowski foi o autor dos abandonados pela sociedade, sofridos e derrotados. Lembra-me muito os ditos malditos como Plínio Marcos e Jean Jenet, cada qual no seu estilo, mas com o mesmo pano de fundo. Há ainda aqueles que como Cazuza, trazem na sua poesia uma inspiração quase que direta dele. Quem conhece o Blues da Piedade e Só as Mães são Felizes, sabe do que eu estou falando.

Alcoólatra e ateu assumido, com gosto pela bebida e não tão somente a reboque da dependência química, Bukowski saiu aprontando e se apaixonando com muita intensidade. Não tinha um engajamento direto na política, mas a sua própria trajetória passava pela crueza do mundo dos oprimidos em todos os sentidos o que por isso mesmo tornou mais rica e abrangente a sua visão de mundo. Ao descortinar o outro lado não glamuroso do modo de vida americano sempre cheio de certezas e sucesso, Bukowski desnudava uma América até então desconhecida de todos.

O ambiente era o mesmo de sempre, a sua adorada Los Angeles, de onde nunca se afastou. O universo das putas, cafetões, bêbados, michês, travestis, jogadores profissionais, gente deprimida, drogas, hotéis baratos e polícia era a matéria prima de suas obras e da sua vida. Ele mesmo se considerava um “looser”, denominação depreciativa que significa o ser humano que não serve para nada, um fracassado. Tendo que trabalhar para sobreviver, entrou para os Correios em 1955, trabalho que odiava e que tentava largar pela poesia e a escrita.

A sua  desilusão com o meio editorial, foi insuportável e depois de um período de quase dez anos, entre os anos 50/60, sem publicar nada, em reabilitações e um casamento breve com a poeta Barbara Frye, Bukowski voltou ao seu trabalho original nos Correios para finalmente nos anos setenta, já contratado pela Black Sparrow Press(Editora alternativa da CA), começar a ser notado pelo mundo literário e do cinema. Daí para frente, fora dos Correios e dedicado exclusivamente à sua literatura, já com cinqüenta anos, vem o reconhecimento e a admiração quase religiosa a que me referi no início desse texto.

Pois outro dia, conversava sobre variados assuntos com amigos meus de toda a vida, quando o nome de Bukowski veio à tona por conta de alguma circunstância, quando um desses amigos me disse: “Quem?Bukowski? Ah, Bukowski era um reacionário!!”. Ao que eu perguntei; “Mas, reacionário como?”. “Ah, reacionário mesmo!”. “Conservador?Como assim?” “Ah,  é como se dizia na política, não tá com a gente, é reacionário!”.

Quem quiser ler um pouco de Bukowski é só ir no link abaixo, mas não diz que não avisei antes!
Músicas do Cazuza, aqui abaixo: