quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Quem tem medo de ser negro?


É impressionante e chega a ser patético, como a sociedade brasileira acha que ser negro ou ter ascendência negra é desqualificante.

Reparem nas conversas de bares ou de famílias, como todos se dizem brancos ou que são remotamente descendentes de alemães ou italianos. Negros nunca, talvez índios, mas para por aí.

O Brasil é um país formado por mestiços na sua maioria, de árabes, asiáticos, europeus, africanos e índios. Com base nisso deveria ser mais tolerante, mais igualitário, mas não é.

Durante muito tempo e até bem pouco, já na década de setenta, costumava-se declarar que um casamento bom era aquele que clareava a raça. Parece piada de mau gosto, mas não é, trata-se da mais pura realidade.

O preconceito é tão enraizado que grande parte dos pardos se declara branca com medo de ser discriminada. Os próprios negros discriminam os negros mais pobres. Isso é muito evidente nas PMs, onde a maioria é negra, mas que age de modos diferentes para brancos, pardos e negros.

Alguns dizem que a pobreza é que determina a discriminação e que a cor da pele não. Então vamos contar quantos pardos e negros existem entre médicos e engenheiros, diplomatas, juízes e profissões mais exclusivas. Nas favelas e comunidades desassistidas, quem é a maioria da população?

As estatísticas de viciados em crack revelam que mais de oitenta por cento é de pardos e negros. Isso vale igualmente para os presídios. Por que é assim?

Pelas costas, sem serem notados, todos fazem aquele gesto de passar o dedo indicador por cima do braço quando querem desqualificar alguém pela sua cor, justificando um mal comportamento ou falta de educação.

A sociedade é muito hipócrita e quando é quase branca já se sente melhor que os outros.

Não tenho clareza quanto ao sistema de cotas, não sei se corrigirá isso, mas para mim o fundamental é a educação.

É de criança que se aprende a respeitar os outros, quem é diferente na cor ou qualquer outra coisa. O que diferencia as pessoas é seu caráter, isso sim é essencial no ser humano.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Carro Novo


Desde que eu consegui me firmar no emprego e financeiramente, tenho por hábito trocar de carro de três em três ou no máximo, de cinco em cinco anos. Estou falando de carro zero. Não dá problema de manutenção, tem maior valor de revenda e você pode acompanhar a evolução da indústria de uma maneira mais barata. Isso mesmo, porque quando se compra um carro zero com o que você escolhe, sai mais em conta do que colocar tudo depois.

Por experiência própria, aquele equipamento ou peça que você compra ali na oficina do seu amigo da esquina, ou do alternativo, quase sempre não funciona direito e dá muita dor de cabeça. Enfim, eu me programo para ter o dinheiro necessário para troca e sempre à vista, dando meu carro usado como parte do pagamento. Aí é uma questão minha de não ter que se preocupar datas, prazos, porque na maioria dos casos é bom possuir um financiamento por várias razões apesar das taxas extorsivas praticadas naquilo que a gente se acostumou a chamar de mercado, mas que no fundo não tem concorrência e você acaba pagando o que eles querem ou não tem negócio. Você que se vire, não é assim?

Cada vez que eu procuro uma concessionária penso dez vezes antes se é isso mesmo que eu quero. O mercado de carros mudou muito nos últimos anos, a indústria deu uma modernizada boa, as condições de financiamento foram muito facilitadas, apesar das taxas, as opções de modelos são muitas, até excessivas, mas a postura das revendas continua a mesma há décadas.

Primeiro o atendimento, em qualquer uma de qualquer marca de concessionária, não é muito bom de início. Você entra e sempre tem alguém sentado em frente a um micro, entretido com alguma coisa, inclusive o gerente que está ali numa salinha de vidro ao lado, faz questão de ignorá-lo.

Quando finalmente você é percebido como um cliente aí o tratamento muda e você passa a ser o alvo de ofertas quase sempre com siglas incompreensíveis, declamadas à velocidade da luz. Se você chega com sua preferência já definida fica mais difícil ainda, porque imediatamente o discurso do vendedor perde cinquenta por cento da validade e ele fica meio sem saber o que dizer e impaciente ao mesmo tempo.

Se você diz que quer vender o seu carro e pagar o restante à vista, o semblante do vendedor vai ficando diferente, apreensivo e próximo do raivoso. Parece que você está ocupando o lugar de alguém que ele esperava e mesmo assim ele oferece um financiamento imperdível com taxas exclusivas. A oferta ganha forma de quase ameaça pelo o olhar que é lançado sobre você.

Meio sem jeito você diz: “olha, eu prefiro à vista porque já me programei desse modo”. Os outros cinquenta por cento do discurso de vendas vão por água abaixo e você quase pede perdão por comprar um carro zero, top de linha e à vista.

Mas, não desanime, o vendedor passa a descrever os itens supérfluos do seu modelo escolhido como se fossem essenciais à sua vida e especialmente para sua família. Quase sempre dizem: “ a sua mulher vai adorar isso e aquilo”. Claro, sem saber se você é casado ou se a sua mulher não se interessa por carros.

Depois de ouvir todas as maravilhas do veículo que você já conhecia há séculos porque já tinha visto mil vezes na internet, o vendedor dá o preço cheio (Cheio de quê? Dá vontade de perguntar) do carro e diz na sua lata que vai abrir mão da comissão para lhe presentear com um conjunto de tapetes. Isso mesmo tapetes. Não dá tempo de se recuperar do susto. Acho que o próximo passo é eles tirarem as maçanetas das portas. Nenhum carro, nem os de penta-luxo, vem com tapetes, mas isso é outra história.

Em seguida, ele pede os documentos do seu carro usado e some, dizendo que vai negociar com o gerente um preço bom para você. Passados mais ou menos vinte minutos de relógio, nos quais você já rodou a loja toda e até se interessou por alguns daqueles assessórios inúteis que custam os olhos da cara, vem o vendedor, fazendo uma cara de cansaço pela batalha da negociação e ao mesmo tempo sarcástica e diz: “ Olha, deu pra conseguir tanto", ou seja, mais ou menos trinta ou quarenta por cento abaixo do menor preço que você esperava.

Você tenta argumentar, mas é inútil e ele repete que já abriu mão da comissão. Fala sério, alguém acredita? Volta a falar do preço cheio, agora do seu carro, da margem que a concessionária está abrindo mão. Dá vontade de gargalhar nessa hora, mas você se contém. Até que após uns bons minutos de conversa de surdos, você se rende à oferta e topa vender seu carro a preço de banana e a pagar uma fortuna pelo carro deles.

É mas não acabou, vem a parte da documentação e por mais que você esteja aceitando os preços deles, pagando à vista, aceitando os prazos de entrega e toda a arrogância do gerente que não olhou na sua cara sequer, te pedem o comprovante de residência. Isso mesmo, não adianta carteira de identidade, CPF, cartão de crédito, carteira de motorista, DUT(mais uma sigla), cheque com fundos, nada disso. Se não apresentar o comprovante de residência a fatura não pode ser emitida. E não tem Joaquim Barbosa que dê jeito, ou é comprovante ou nada.

“Mas, onde eu moro, é um condomínio, a água é de mina, o gás não é encanado, a luz, bom a luz é da Ampla, mas o CEP que ela usa é genérico, vai dar problema”. O vendedor olha para você como se fosse um vazio e diz: “Olha, pra te facilitar, a Agência aceita qualquer conta de consumo”.

Quase desisti, mas mandei três contas, uma da TV a cabo, outra da luz (mesmo com o CEP genérico) e por último, mas só a primeira página (...tem que ser completo com tudo mesmo..., alertava ele), da fatura do meu cartão de crédito. 

A conta da TV a cabo foi rejeitada (não é consumo, segundo eles) porque tinha que ser de luz ou gás, mas acabaram aceitando uma das outras. Não fui informado qual, é claro.

Bem, depois de três idas exaustivas à concessionária, pelo menos agora, eu só tenho que esperar dez dias, a partir da data de aceitação da minha compra para me entregarem o carro que sempre esteve lá, na Pavuna, no estoque.

Simples assim.