sexta-feira, 29 de junho de 2012

Ah, o primeiro livro!

Sempre se ouve dizer que o livro vai acabar por causa da digitalização. Eu não acredito, o rádio, o teatro e o cinema não acabaram por causa da televisão. O jornal não acabou por causa da Internet. Há quem goste dos antigos LPs e não dos CDs, estes sim em extinção.

Como se cria o hábito de ler? Eu acredito no incentivo. Sem êle não se tem a curiosidade ou melhor, ela não é despertada.

A leitura sempre foi incentivada lá em casa e embora eu preferisse ficar na rua brincando, tinha fascínio pelo o que cada livro poderia conter.

Com nove anos decidi escrever um livro e fiquei dias com um caderno em branco na minha frente e nada, absolutamente nada saiu. Comecei a escrever sobre um passeio ao zoológico que eu jamais havia feito e ficou tão ruim, mas tão ruim que logo me desanimei a continuar. Se alguma coisa boa saiu disso foi o senso crítico de que aquilo era muito ruim.

Eu me lembro como se fosse hoje, minha mãe deitada no sofá da sala, lendo um livro intitulado “Inferno Verde”. Quase todos os dias ela lia alguns trechos daquele livro. Eu ao lado dela, ficava enfeitiçado com aquelas histórias. Eram relatos romanceados das aventuras no interior da mata amazônica.

O tal do inferno verde era a floresta amazônica. Eu, nos meus oito anos, sem saber de nada, nem onde ficava Copacabana, não podia imaginar tal lugar. A Amazônia funcionava como um lugar mágico, cheio de mistérios e tão distante de nós quanto possível. Era quase um símbolo, um marco da brasilidade longínqua.

Mais tarde fui saber que seu autor, Alberto Rangel, foi engenheiro e trabalhara na Amazônia. Quem escreveu seu prefácio foi Euclides da Cunha, que além de escritor conceituado, foi seu companheiro da Escola Militar da Praia Vermelha.

O livro é de relatos da realidade amazônica e dá uma dimensão diferente do paraíso tropical, do eldorado que tantos almejavam. Na minha inocência de criança o que me chamava atenção e creio que minha mãe selecionava os trechos que lia, eram as partes de aventura e mistério simplesmente. As disputas de terras, as condições precárias de trabalho, da saúde, dos índios e a política me passavam despercebidas.

Então, eu tinha muito medo da onça que deixava seus rastros na mata, apavorando os moradores próximos. Todos queriam caçar a onça. Isso parecia correto, porque afinal o lobo mau também era caçado naquela outra história, mas eu sentia rejeição à idéia da caça. Por que não pegá-la e devolvê-la à mata, pensava?

Já em outra narrativa eram os barulhos assustadores da floresta à noite. Aprendi palavras indígenas como Igapó(alagadiços com vegetação) e Igarapé(braço de rio, longo). Há que falar das cobras e dos mosquitos, aranhas e outros insetos peçonhentos sempre em torno daquele cenário calorento e úmido. Por muito tempo fiquei com a imagem do inferno verde de Rangel na cabeça, quando ouvia falar do Amazonas.

Depois com a idade avançando fui tomando gosto por ler os jornais também. Sou do tempo do JB – Jornal do Brasil, o melhor jornal da época. Sério, correto, ia da cultura aos esportes, passando pela economia e política, defensor da democracia, em tempos bicudos para tal, após o golpe político de 1964.

Seus jornalistas e articulistas, todos de primeiríssima categoria, nos informavam tudo e a conclusão era sua. Hoje, eu digo a quem quer fazer concurso público, por exemplo, que a melhor apostila que existe é o jornal diário.

Enfim, gosto de ler tudo, do romance à biografia. A oportunidade de entrar em mundos diversos, cheios de emoções, mistérios, novidades nas mais diferentes situações é incrível! Leio alguns clássicos também com algum sacrifício, porque clássico é pesado, é tarefa.

Ainda não sei ao certo o que é literatura. Sei se gosto ou não gosto.

O brasileiro lê um livro em média por ano, é muito pouco, não é? Leitura leva à educação, consciência ambiental e política, civilidade e à literatura e isso tudo junto forma um cidadão.

Adoro ler!

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