sábado, 15 de fevereiro de 2014

Bandido Acorrentado a Postes e Intelectuais

Em decorrência dos últimos acontecimentos cada vez mais violentos, como assaltos, crimes e muitos deles envolvendo policiais como autores, muito se tem falado nas redes sociais e na internet em geral, em intelectuais a favor de bandidos, em esquerda caviar e outros adjetivos, querendo fazer crer que a intelectualidade apenas se preocupa e se ocupa de questões que alimentam seus egos e suas vaidades menores, omitindo ou subestimando a realidade das coisas.

O que me chama atenção é que grande parte desses comentários são de jovens (para mim jovem é todo aquele que está abaixo ou com 40 anos) informados e esclarecidos portanto.

Assisti recentemente ao filme “A menina que roubava livros”, um filme delicado e singelo. A cena mais chocante que o filme mostra é a convocação do partido nazista à população para uma cerimônia de queima de livros numa enorme fogueira ao comando do prefeito, na praça central da pequena cidade alemã.

As pessoas entoam hinos, enaltecendo o nazismo e são incitadas e obrigadas a jogarem seus livros sobre a fogueira. O ódio e o desprezo do regime nazista por tudo o que era cultura se chocava diretamente com origem do povo alemão diga-se de passagem. 

Cabe lembrar que a Alemanha é o berço dos filósofos modernos e pensadores ilustres, como Nietzsche, Marx, Engels, Schopenhauer, Freud e muitos outros. Caetano Veloso brincou acerca disso na sua música Lingua, dizendo "está provado que só se pode filosofar em alemão".

O que eu quero frisar é que somos o que somos porque existiram e existem os intelectuais que tornaram a convivência social melhor e mais humanizada. 

Então, ainda bem que existiram Sócrates, Platão, Sartre, Virginia Woolf, Foulcault, Garcia Lorca, Giordano Bruno, Picasso, Charles Chaplin, Pablo Neruda, Rosa de Luxemburgo, Hannah Arendt, Ruy Barbosa, Darcy Ribeiro, Simone de Beauvoir, Caio Abreu, a lista é imensa e extremamente conhecida. Caso contrário, estaríamos ainda nos alimentando de carne crua muito possivelmente das nossas tribos inimigas.

Diminuir, achincalhar o pensamento intelectual é ignorar a nossa própria história e retroceder sim à barbárie.

Acorrentar a postes e espancar pessoas de qualquer cor, estrato social, sexo ou religião, para evidenciarem o seu ódio ao sistema, mesmo que sejam bandidos tem que ser motivo de vergonha à civilização e não de “justiça” ou orgulho.

Se não, estaremos repetindo o mesmo modelo dos criminosos que tanto recriminamos.

Sou contra a pena de morte, os linchamentos de qualquer espécie, a tortura de qualquer um ou a justiça pelas próprias mãos.

Se assim não for e num futuro obscuro, nós, nossos filhos ou amigos, serão as próximas vítimas com ou sem culpa formal.

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