Em decorrência dos
últimos acontecimentos cada vez mais violentos, como assaltos,
crimes e muitos deles envolvendo policiais como autores, muito se tem
falado nas redes sociais e na internet em geral, em intelectuais a
favor de bandidos, em esquerda caviar e outros adjetivos, querendo
fazer crer que a intelectualidade apenas se preocupa e se ocupa de
questões que alimentam seus egos e suas vaidades menores, omitindo
ou subestimando a realidade das coisas.
O que me chama atenção
é que grande parte desses comentários são de jovens (para mim
jovem é todo aquele que está abaixo ou com 40 anos) informados e
esclarecidos portanto.
Assisti recentemente ao
filme “A menina que roubava livros”, um filme delicado e singelo.
A cena mais chocante que o filme mostra é a convocação do partido
nazista à população para uma cerimônia de queima de livros numa
enorme fogueira ao comando do prefeito, na praça central da pequena
cidade alemã.
As pessoas entoam
hinos, enaltecendo o nazismo e são incitadas e obrigadas a jogarem
seus livros sobre a fogueira. O ódio e o desprezo do regime nazista
por tudo o que era cultura se chocava diretamente com origem do povo
alemão diga-se de passagem.
Cabe lembrar que a Alemanha é o berço
dos filósofos modernos e pensadores ilustres, como Nietzsche, Marx,
Engels, Schopenhauer, Freud e muitos outros. Caetano Veloso brincou
acerca disso na sua música Lingua, dizendo "está provado que só se pode filosofar
em alemão".
O que eu quero frisar é
que somos o que somos porque existiram e existem os intelectuais
que tornaram a convivência social melhor e mais humanizada.
Então,
ainda bem que existiram Sócrates, Platão, Sartre, Virginia Woolf,
Foulcault, Garcia Lorca, Giordano Bruno, Picasso, Charles Chaplin,
Pablo Neruda, Rosa de Luxemburgo, Hannah Arendt, Ruy Barbosa, Darcy
Ribeiro, Simone de Beauvoir, Caio Abreu, a lista é imensa e
extremamente conhecida. Caso contrário, estaríamos ainda nos
alimentando de carne crua muito possivelmente das nossas tribos
inimigas.
Diminuir, achincalhar o
pensamento intelectual é ignorar a nossa própria história e
retroceder sim à barbárie.
Acorrentar a postes e
espancar pessoas de qualquer cor, estrato social, sexo ou religião,
para evidenciarem o seu ódio ao sistema, mesmo que sejam bandidos
tem que ser motivo de vergonha à civilização e não de “justiça”
ou orgulho.
Se não, estaremos
repetindo o mesmo modelo dos criminosos que tanto recriminamos.
Sou contra a pena de
morte, os linchamentos de qualquer espécie, a tortura de qualquer um
ou a justiça pelas próprias mãos.
Se assim não for e num
futuro obscuro, nós, nossos filhos ou amigos, serão as próximas
vítimas com ou sem culpa formal.
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