Não tenho publicado
nada sobre os acontecimentos recentes de manifestações, porque me
desanimei com os resultados daquelas de junho de 2013.
As reivindicações que
não tinham eixo central, nem eram organizadas, ficaram pelo caminho.
Alguma coisa foi adiante, como o fim do voto secreto no Congresso,
mas ainda assim é quase nada perto daquilo pelo que se protestou.
Mais uma vez o sistema deu a volta na voz das ruas, como se diz.
Contudo, esse último
episódio ocorrido no aumento (novamente) de passagens de ônibus,
onde houve confronto (novamente) entre manifestantes e polícia se
encerrou de modo trágico com a morte do cinegrafista da BAND,
Santiago Andrade.
Fiquei meio paralisado
com essa notícia e com medo de emitir opinião sem antes saber muito
bem do que estávamos tratando e lidando.
No meio da confusão,
nas imediações da Central do Brasil, alguém detonou um rojão que
atingiu a cabeça do cinegrafista sem chance de defesa. Ele morreria
no quatro dias depois no hospital, causando grande consternação em
todo o País.
Os manifestantes que
manipulavam o rojão foram identificados (Caio e Fabio) e presos, num
processo confuso de denúncias de aliciamento de manifestantes por
políticos e movimentos independentes e com o advogado de defesa dos
réus, Jonas Tadeu, um ex-defensor de milicianos da zona oeste do Rio
de Janeiro.
Tudo parece sem rumo e
estamos em pleno ano eleitoral com uma Copa do Mundo no meio. Os
interesses que sempre são grandes, neste contexto são maiores
ainda.
Assim chegamos a uma
situação muito confusa, quando lá pela metade de junho de 2013,
pipocaram as manifestações populares pelas principais cidades do
Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador e Porto Alegre.
Dizia-se que os movimentos eclodiram pelo aumento de
passagens dos ônibus urbanos. De fato o que inicialmente puxou a ida
da população para as ruas foi isso.
Contudo, a insatisfação
com os serviços públicos básicos de saúde, educação e
transporte urbano , há tempos vinha ocupando nossas cabeças e entra
ano e sai ano, entra governo e sai governo nada é resolvido.
Junte-se a isso a revolta com os escândalos de corrupção que só
fazerm crescer em número e valores envolvidos.
O contingente que foi à
rua era visivelmente de classe média e não tinha partidos ou
sindicatos puxando as manifestações, apenas gente, muita gente
gritando os mais diferentes slogans. O que chamava a atenção era a
ausência de lideranças, o que sempre puxou esse tipo de coisas.
Um grupo até então
desconhecido da maioria chamado Movimento Passe Livre ou MPL apareceu
como cabeça da reivindicação contra os aumentos abusivos, mas se
absteve de responder pela organização das manifestações como um
todo.
Lá pelo terceiro dia
de manifestações em São Paulo, a polícia militar resolveu que
iria acabar com os protestos na marra e desceu o cacete nos
manifestantes, utilizando de violência que lembrava o pior dos anos
de chumbo.
Aquilo que tinha sido
inicialmente uma corrente meio desordenada de pessoas com muitas
facetas tomou uma forma mais definida em face da violência policial.
Os políticos até então calados, começaram a sair da toca e a
defender os manifestantes. As pessoas até então sem saber do que se
tratava direito também começaram a apoiar os protestos, seguidos
pela imprensa, televisões e jornais. A repercussão é imediata e em
pouquíssimo tempo atinge o noticiário internacional.
No meio disso tudo
apareceram outros tipos de grupos, um chamado de Midia Ninja, uma
espécie de jornalismo em tempo real e participativo, cobrindo as
manifestações no momento exato da sua ocorrência transmitida pela
internet.
Outro grupo que
apareceu protagonizando enfrentamento direto com a polícia foi o
Black Bloc, descendente direto de manifestantes europeus com tintas
de anarquismo. Esse grupo usa máscaras para dificultar a ação de
identificação da polícia e dar uma não-cara aos seus
manifestantes.
A ação é direta de
impacto, onde são escolhidos alvos representantes do capitalismo
como agências bancárias, empresas de sucesso como MacDonalds e
patrimônio público como pontos de ônibus e lixeiras, além de
invasões a órgãos públicos.
No Rio de Janeiro as
manifestações foram igualmente reprimidas e a reação do governo a
pior possível porque também se utilizou da força da polícia
indiscriminadamente.
A primeira entrevista
do governador Sérgio Cabral acerca das manifestações foi
desanimadora. Em cada frase que ele pronunciava, três ou quatro
vezes usava as palavras democracia ou democrata na tentativa de
arrefecer os ânimos contra o comportamento inadequado e violento da
PM do Estado. E quando as perguntas se relacionavam ao sistema de
segurança, era evasivo.
Ao ser questionado se o
Governo pensava rever os métodos de repressão da PM e utilizar a
inteligência ao invés da força ou se os próprios manifestantes
teriam que coibir os depredadores. Ele não respondeu, disse que se
houvesse vandalismo que a polícia iria agir da mesma forma e que não
cabia a ele falar pelos manifestantes.
Perguntado ainda sobre
as pouquíssimas pessoas que haviam sido detidas por atos de
vandalismo e que ainda não tinham sido identificadas para se fazer a
separação dos manifestantes pacíficos com clareza, ele não
respondeu e disse que a polícia estava trabalhando nisso.
Havia e
ainda há fortes suspeitas que agentes das próprias polícias se
infiltravam nas manifestações para provocar os quebra-quebra. Em várias ocasiões, quando o movimento começava a ser agitado em direção às depredações, a polícia se ausentava e deixava as ruas transformarem-se em praças de guerra.
Percebe-se com clareza
que o Governador está apostando no acirramento das ações e no
confronto direto com o movimento de manifestações para esvaziá-lo.
O que se viu em seguida
foi, Sérgio Cabral se afundar politicamente com a série de
escândalos que vieram à tona, envolvendo seu governo, culminando com
um “Occupy” em frente à sua casa no Leblon que durou um mês
inteiro.
Este ano temos eleições
presidenciais e Dilma, apesar de tudo segue em vantagem nas pesquisas
de opinião. A população voltou para casa e está descrente das
melhorias.
Em Julho a Copa, em
outubro as eleições. Vamos ver onde isso acaba!
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