Nesses tempos de páscoa, não tem como se abstrair e não pensar o mundo na época de Jesus, sua geopolítica, o poder romano total do ocidente sobre a religiosa região da Palestina.
No entanto, uma das histórias, dentro dessa história que sempre me chamou muito a atenção foi a de Judas Iscariotes. Na realidade, ela possui algumas versões, onde a mais interessante é que o próprio Jesus teria sugerido a êle a sua denúncia aos romanos e que Judas teria sido o discípulo mais fiel a Jesus.
Foi encontrado um suposto “Evangelho de Judas”, escrito em grego, entre os anos de 150 e 180 DC que o National Geographic adquiriu por um milhão de dólares do Antiquário Tchacos da Suíça em 2000. O evangelho é apócrifo e não consta da Bíblia, nem é reconhecido pela Igreja, mas fala sobre o encontro da revelação entre Jesus e Judas pouco antes de sua morte.
Ocorre que a história de Judas mais conhecida é da traição pura e simples, por dinheiro e por inveja, talvez. Pode-se ainda descrevê-la como uma das muitas traições que acontecem em política e poder ao longo da história da humanidade. Se bem que essa foi uma das traições que ficaram eternizadas no imaginário da população, como uma das mais graves e terríveis.
Na minha opinião penso que qualquer traição é grave e terrível, mas em se tratando de Jesus, vamos a essa.
Jesus reapareceu, pregando a palavra de Deus, segundo êle, em Jerusalém, depois de mais de vinte anos sumido, desde o seu nascimento e perseguido por Herodes, imperador judeu/árabe que tinha mandado matar todos os meninos com dois anos de idade na época, por conta de um boato sobre o nascimento de um messias.
Depois que Herodes morreu, José, pai de Jesus e toda a família, se mudaram para Nazaré, onde se estabeleceram e logo depois que José morreu, Jesus, já com doze anos começou as suas pregações e feitos, segundo os evangelhos.
Ao longo de sua trajetória Jesus foi constituindo um ministério de doze apóstolos, entre os quais, Judas, um dos seus amigos mais próximos.
As coisas com o Governo Romano, na época de Tibério César, andavam mal para o lado de Jesus, que com suas pregações tornara-se uma ameaça ao império com suas reivindicações igualitárias e pacifistas, além de falar em nome de Deus e de se dizer filho direto dele, é claro.
Segundo ainda, relatos dos evangelhos, a retórica e a comunicação de Jesus, arrastavam multidões, o que preocupava cada vez mais o Governo. Como é natural ser, os levantes e conspirações eram clandestinos e Jesus e seus discípulos também o eram e porquanto perseguidos pelo Governo Romano.
A certa altura dos acontecimentos e isso está meio que relatado rapidamente nos evangelhos, Judas resolve de uma hora para outra indicar aos governantes o esconderijo de Jesus em troca de dinheiro que dava para comprar um escravo apenas, 30 moedas de prata. Pouco para quem está até o pescoço em uma conspiração tão importante.
Jesus é preso e julgado como agitador e falso profeta. Sua sentença, como ditava a justiça romana era a crucificação e o ultraje público para efeito de demonstração ao povo. Pôncio Pilatos, governante local, sanciona a sentença no célebre ato de lavar as mãos porque não o julga tão perigoso assim e Jesus é crucificado.
Isso tudo é história, sagrada para alguns milhões. O fato é que até hoje se cultua um ódio transferido a Judas que parece que incorpora todos os pecados do mundo no ato da sua malhação.
É um ritual tenebroso, muito comum aqui no Brasil, a malhação do Judas. Acho que tem esse nome para encobrir o verdadeiro nome que é o linchamento a pauladas e pedradas. Aliás como se faz hoje ainda em alguns países mulçumanos, em caso de adultérios por exemplo, mas isso é outra história.
Ah, mas aí temos um culpado, dizem todos! Será? O pior é que esse ritual é praticado por crianças de todas a idades que aprendem a odiar, nem que seja ali naqueles segundos de destruição alucinada e ofegante dos bonecos ou dos representantes que encarnam Judas.
Eu mesmo me vi envolvido nisso aos nove anos de idade e esse ato me causou repulsa e eu nunca mais o pratiquei, mesmo quando era convocado pelos meus melhores amiguinhos a assassinar Judas.
Acho que isso não é tudo, lógico, mas explica um pouco essas brigas de torcidas organizadas, as milícias fascistas, a lei do tráfico de drogas e armas, os regimes totalitários, os massacres étnicos e tantas outras barbaridades.
Se existe um culpado, vamos lá exterminá-lo com as nossas próprias mãos. É olho por olho, dente por dente!
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