Mais um dia comum, nem chove nem faz sol, é comum. Acordo com o dia quase claro, vou ao canil e solto os cachorros, dou a comida. Eles como sempre estão se embolando no chão, acho que isso é porque estão felizes. O macho é mais forte, mais alto, mas a fêmea aplica-lhe uns golpes nas patas dianteiras que eu costumo chamar de MMA e êle, coitado, desaba no chão de barriga para cima. Ela cai em cima de mordidas nas orelhas e nas peles do pescoço que é a parte que ela mais gosta de morder. Êle parece não se importar se levanta e dá o troco e ficam assim até irem comer. E eu esperando, se não, eles não comem direito. Eu tenho que ficar ali até o fim.
Depois café, depois obra. É, estou no final (há três meses) de uma obra que no total já dura dez meses. Mas está ficando bom, eu gostei de tudo até agora. Dia que corre, chega alguém das poltronas, outro do jardim e material, mais material. Eu me lembro de Águas de Março, é pau, é pedra, é o fim do caminho...... .
Jà é noite e lá pelas nove entro no Facebook, porque ninguém é de ferro e eu confiro as fofuras e as maldades do FB. Pulo todas as fofuras, fico nas maldades, sempre mais divertidas. De repente alguém me chama e acho que estou tendo alucinações, mas como, se não tomei nenhuma tarja preta ainda?
Não, era um amigo meu de muitos anos que me chama: “Eduardo, você está aí?”. Estou, respondi. A conversa que era para durar dois minutos, durou quase três horas de muitas gargalhadas e histórias rememoradas com direito a imagem no Skype e tudo. Nunca vi o Mário de mau humor, êle continua assim, é vacinado contra isso. Foram repassadas algumas mortes, alguns desencontros, alguns encontros, doenças, curas, cachorros, filhos, trabalho, tudo.
No final, o óbvio, vamos nos encontrar? Claro, amanhã? Amanhã não posso, estou enrolado. Eu também não posso, mas e na próxima semana? Tranqüilo, vamos chamar todo mundo? Todo mundo não dá, mas alguns, pode ser. Então tá marcado, quem avisa aos outros? Os dois. Tá bom.
Olha aqui, o Othon está on line vamos falar com êle? Vamos, manda um recado malcriado, hahahahha! Já mandei. Êle mandou a gente se f...., hahaha. Mas e aí, êle vai? É, confirmou. Tá bom!
No dia seguinte, já estão todos confirmados, não é muita gente, só oito pessoas. Alguns sempre que me viam diziam: “ pôxa, você só almoça com o mesmo pessoal, me convida que eu vou!”. O amigo das três horas de FB era o que nós não víamos há mais tempo, uns dez anos talvez. A gente até se fala, mas é de vez em quando. E quando se fala é como se tivesse se encontrado ontem. Vai ver que é assim mesmo com quem a gente gosta.
Chegou a semana em questão, mais uma vez entrei em contato com o Mário, para ser mais exato, na véspera do encontro. Êle me disse que sim, estava certíssimo. Eu perguntei, onde você sugere? Êle me respondeu, "no restaurant", assim mesmo, em francês(é uma babaquice antiga sem maiores explicações)! Sem tomar conhecimento da “piada?!” repassei a confirmação para os demais que me perguntavam, mas onde vai ser? Acabamos por combinar na Majórica.
Desci a serra de Petrópolis de ônibus. Engarrafamento na baixada, Linha Vermelha, engarrafamento, descida de São Cristóvão e finalmente Rodoviária. Táxi, que eu pego na chegada da Rodoviária, porque no desembarque tem sempre uma máfia e dá muito trabalho para se desvencilhar dela. Enfim, túnel, Laranjeiras e o Flamengo. Valeu o esforço, não durou mais que duas horas.
Cheguei e já estavam lá, Betina, Othon e Janon, tinham reservado uma mesa grande que seguravam sob os olhares furibundos do garçon. Cláudio não vem, desceu conosco e tomou outro rumo, disseram. Jacques ninguém sabe, nem eu que o convidei, pensei. Em seguida chegaram Paulinho e Sonia, aquele pessoal que eu sempre almoço. Aí aguardamos nosso esperado Mário.
Deu meia hora e alguém disse, liga para êle. Eu havia ligado, mas não chamou. Enfim, lá pelas quinze para as duas eis que liga o Mário e diz: Ôi, é o Eduardo ou o Oitão (apelido do Othon, meio óbvio, mas válido para nós há trinta anos)? Sou eu Mário, o pessoal está aqui te esperando e aí? Eu estou indo ao cartório e vai ficar tarde pra caramba! Como assim cartório? E o almoço com o pessoal? É que não deu para adiar e eu tenho que ir. Mas você não avisou... ah deixa pra lá! O detalhe mortal é que êle mora em Niterói, naquele dia não tinha ido trabalhar por causa de uma greve de ônibus e se fosse chegaria para o jantar. É verdade, fica para outra vez! Todos se entreolharam, riram e lamentaram, falando mal é claro! Afinal, o almoço tinha sido iniciativa dele!
Liberamos parte da mesa para o garçon que quase vertia lágrimas de ansiedade. Depois desse episódio caímos dentro do almoço propriamente. Pusemos a conversa em dia, foi ótimo! O Mário(é, aquele que te comeu no armário, diria êle às gargalhadas)? Um dia a gente marca de novo e êle não aparece "no restaurant".
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