quarta-feira, 25 de abril de 2012

À propósito de Carlinhos Cachoeira


A propósito do Senador Carlinhos Cachoeira (a confusão não é desprovida de sentido), de Demóstenes Torres e sua turma, o tema corrupção, sempre presente em nossa sociedade, me vem à cabeça como uma bomba de retardo. A pior bomba já construída, sem precisar de nenhuma tecnologia porque é feita de pura irresponsabilidade misturada à maldade mais básica. 

A corrupção é um mal endêmico, inoculado na sociedade. Desde o tempo do descobrimento, dirão alguns, jogando toda a culpa nos portugueses, sempre com uma ponta de maldade, porque os acham inferiores aos outros europeus. Não são. Que o digam, os ingleses, os espanhóis e holandeses, de triste passado nas suas ocupações e andanças colonizadoras na nossa América Latina, África e Ásia.  

É difícil de combater a corrupção, porque é quase um mal da alma, quando instalada. Eu me lembro daquela senhora, falando da ética do mercado, nas gravações de vídeo de uma simulação de licitação mostrada no Fantástico, no mês de março deste ano, justificando sua conduta ética de fraudar licitações.  

Ela diz aquilo com uma convicção de que é assim mesmo e pronto, sem um pingo de remorso nem de escrúpulos. Já um diretor de outra empresa, nessa mesma gravação, disse que não trabalhava com qualquer vigarista, que inclusive, ensinava aos filhos o princípio da solidariedade: eu protejo você, que me protege e assim por diante, se referindo aos seus “concorrentes” na licitação. 

Falta de compromisso, desapego à coisa pública, pouca responsabilidade com a nossa própria vida!

Essa gente não enxerga, ou pior não se importa com isso, que o centavo que é roubado aqui, lá na frente vai deixar milhares sem emprego, sem perspectiva, sem saúde, sem infra-estrutura básica, ou seja, sem futuro. Ou será que alguém pensa que corrupção é uma forma de distribuição de renda?

Há quem vá dizer, mas isso é generalização maldosa, afinal tem muita gente que não é corrupta. É verdade, mas esses não causam mal e exatamente por isso estão fora de esquadro, porque a regra não é essa.

Se não vejamos: há os que marretam o imposto de renda e não se julgam corruptos. Dizem: “o Governo não me retorna quase nada, aliás eu nem preciso do INSS porque pago meu plano de saúde...” e vai por aí a sua justificativa marretosa.

Outros compram muito nos camelôs e dizem: “ é um trabalhador como qualquer outro e os preços nas lojas são abusivos e além do mais eu já sou descontado no imposto de renda...”.

Tem os que pagam as carteiras de motorista nas auto-escolas um sete um; os que dão uma cervejinha para o guarda mau caráter da rua ou da estrada para não serem multados; os que fazem um gato ou gatilho de energia, de TV, de telefone; os que dão um agrado para funcionários públicos que passam seus processos na frente; as empresas, em especial do comércio, que não dão nota fiscal; os médicos e dentistas, em especial também, que não dão recibos de consultas; os que dão uma grana para os esquemas dos aeroportos e portos, trazendo toda sorte de artigos estrangeiros taxados pela Receita e assim por diante.

São muitas as armações. Todas justificadas porque, ora os preços são absurdos, ora lá fora é muito mais barato ou os impostos já são muito altos. A Receita? Ah a Receita não serve para nada mesmo, só para encher os bolsos do Governo que rouba e não faz. Quer dizer: parece que todos estão em outro planeta e que o País em que vivem, não é também o seu lugar, que deveria ter melhores condições de vida, hospitais decentes, habitação e saúde e conseqüentemente preços melhores com maiores investimentos.

Tudo isso é passado para a responsabilidade dos Governos, como se não fosse de nossa responsabilidade a sua eleição.

Pois é, porque isso tudo está interligado. Não há separação entre o Governo, os preços, os serviços, as empresas e os votos. Se você não paga os impostos, o Governo arrecada menos, os serviços ficam mais caros, os preços idem e os investimentos somem. Os votos? Bem há quem vote por um emprego, por um parentesco, por uma garantia nas próximas licitações, por qualquer coisa que seja vantajosa para si.

A corrupção, essa sim, se aproveita de toda essa confusão e graça solene. É assim mesmo, todo mundo rouba! A máxima é dita com uma ponta de orgulho!

 que, cada marretada, cada cervejinha, cada voto errado ou mal intencionado, custa muito caro lá na frente. Quem vai viver num País pior são os seus filhos, netos e assim por diante. Porque dinheiro, mesmo roubado, um dia acaba e aí? Aí sobra o País sem nada para oferecer.
 
Não há outra saída que não a mobilização e pressão junto aos Congressistas por mudança dos processos e mais fiscalização.
























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