sábado, 28 de abril de 2012

Sítio de Mury, o paraíso na Terra!


Ontem, dia 25 de abril de 2012, fui ao sítio em Mury, na direção de Lumiar, na localidade do Alto Cinqüenta. Fui para colocar o sítio à venda numa imobiliária. Na realidade, desde setembro do ano passado que eu tomei essa decisão. O Sítio é muito lindo, tem dois riozinhos que passam, um ao lado da casa e outro que percorre uma área fechada por mata Atlântica.

Pela primeira vez entrei na casa já vazia, sem qualquer móvel. Engraçado, a sensação de que se passou um fase da vida, me deu um pouco de serenidade. Eu tinha um certo receio de voltar lá nesse estado de coisas, sem nada. Foram quase dez anos de uso, dez anos de felicidade. Eu nunca imaginei que um dia compartilharia um lugar assim, tão mágico. O paraíso na Terra, como dizia o Paulo a todos que iam nos visitar. Foram quase todos, famílias, amigos, amigos dos amigos.

Na verdade, a história começou muito antes, logo depois que um grupo nosso de seis pessoas amigas resolveu comprar uma área na Serra da Sibéria, em 1994, ali no meio do caminho para Lumiar, no Rio de Janeiro. Luiz, Lia, Rita e Roberto, seus filhos, Helena e Vitor, Paulo e eu, amigos de longos anos.

Chegar lá já era uma verdadeira aventura, pela estradinha íngreme de terra até uma altitude razoável de uns mil e trezentos metros. A gente podia chegar por dois caminhos: um pelo acesso de Santiago, passando pelo Le Guildin, restaurante dos franceses (Gerald e Jocelyne) que se tornariam grandes amigos nossos; e outro passando por São Pedro da Serra, lá no final, subindo, subindo até quase chegar no céu.

O nosso terreno, em plena reserva de Mata Atlântica, fica logo depois do Sufi, uma corrente filosófica Islâmica vinda da Pérsia(Iran) e Paquistão. Essa corrente, em particular, foi fundada, havia mais de vinte anos, por argentinos e seus discípulos iam todos os segundos sábados do mês, se não me engano, para meditar e rezar, voltando no mesmo dia para casa. Nesses sábados, a estradinha ficava cheia de carros quatro por quatro e outros de passeio, mas que conseguiam chegar lá. Nunca entrei nas dependências do Sufi, mas diziam que havia um grande templo com partes subterrâneas e tudo. Diziam também, que além disso, havia a parte ligada ao esoterismo e vida extra-terrena. Tudo envolto em muito mistério que eles fazem questão de manter.

Fizemos em cooperativa, uma pequena casinha, muito charmosa, com outro grande amigo nosso, arquiteto, Paulo Guilherme. Parece a casa de João e Maria da famosa história para crianças. Lá não tinha luz, o que achávamos ótimo! As luzes eram de lampião à gás de butijão. A música e as notícias, nós resolvíamos com um antigo rádio Philco Transglobe que pegava a CBN e a MPB FM, assim estava ótimo! Celular, nem pensar, não pegava mesmo, ainda bem! O banho obviamente frio, era tomado no chuveiro externo ao sol, quando tinha. Os mais corajosos tomavam banho no banheiro interno mesmo, aos pulos e aos gritos. Cansamos de ir à Sibéria sob chuva forte, nunca tivemos medo, porque lá a preservação ainda é respeitada, então o que cai é natural e não há aglomerações em áreas de risco.

Ao final de seis anos, como tudo muda, nossas histórias de vida foram se transformando também. Lia tinha ido morar numa casa no sítio dos franceses a essa altura, nossos amigos. Luiz de casamento novo, praticamente não freqüentava mais a Sibéria. Rita e Roberto, por conta de seus trabalhos, diminuiram bastante as suas idas. Helena e Vitor cresceram, viraram belos jovens e foram viver as suas vidas. Eu e Paulo continuávamos a ir junto com Lia que morava agora bem perto. Assim foi, até que um dia Lia, que caminhava frequentemente com Gerard(Gerald) e Jocelyne pelas redondezas, avistaram um sítio à venda no Alto Cinqüenta, uma espécie de bairro em Mury.

A casa vista da estrada parecia ser muito bonita, bem cuidada e grande. Brincaram comigo que tinham achado meu sítio, porque pelo lugar e pela construção parecia ser muito caro. Conversei com Paulo e decidimos ir ver, pois era nossa intenção comprar alguma coisa na região para morar na idade mais avançada. A Sibéria, conforme o combinado entre nós, ficaria com os remanescentes. Falamos com Lia também, mas ela já tinha decidido voltar para o Rio e não teve interesse na nova empreitada.

Fomos ver o sítio sem muita esperança de poder comprá-lo já que parecia ser caro. No entanto, a casa avistada da estrada não era a que estava à venda, era uma outra mais abaixo, vizinha àquela. Para nossa surpresa, o sítio ao lado além de ser bem maior, tinha uma casa do mesmo estilo da outra e o preço, outra surpresa, era bastante acessível! Bingo!

Um chalé austríaco muito bonito, projetado por uma arquiteto húngaro que ainda vivia na região aos noventa e dois anos. Vimos o sítio numa manhã ensolarada do verão de 2000, no início de dezembro e nos apaixonamos instantaneamente. Um deslumbre, com os riachos, a mata atlântica, os espaços generosos e bem cuidados. Foi tudo muito rápido e em 20 de dezembro mesmo, fechamos o negócio.

Os anos seguintes foram de muita felicidade, com as freqüentes visitas de nossos amigos mais queridos, familiares, sempre em inesquecíveis finais de semana ou períodos de férias.

A casa foi totalmente reformada, novamente com Paulo Guilherme, em 2002 e ficou mais linda ainda do que era. O projeto que tinha sido construído junto com esse sítio foi interrompido quase dez depois, por circunstâncias que talvez um dia eu consiga contar. Os amigos mais próximos e alguns familiares sabem a que estou me referindo.

As histórias de perdas são muito tristes e o sítio de Mury foi só alegria em todos os sentidos, um sonho que ao mesmo tempo era realidade, afinal era o paraíso na Terra.

7 comentários:

  1. muita saudade e lembranças maravilhosas de tudo o que vivemos. Lugares que além de tudo estreitaram laços de família, amizade e muito carinho. Bjs,tio. Adorei ler!

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    1. Eduardo,
      esse texto cheio de lembranças e boas recordações nos fazem mais vivos e alegres.
      Me lembro, com a mesma precisão e alegria de suas palavras, de um delicioso fim de semana na casa da Sibéria, Vittória e eu com vc e Tinoco, um almoço relaxado e apetitoso no Guildin, um céu limpo e estrelado e boa conversa.
      Que maravilha esse poder de nossas preciosas madeleines que nos transportam à épocas e períodos de nossas vidas e que nos trazem grandes alegrias e às vezes algumas tristezas e saudades.
      Viver e envelhecer nos oferecem essa dupla possibilidade: vivenciar e recordar nossas pequenas e grandes paixões, encontros e desencontros, alegrias e tristezas, por amigos, amantes, familiares, cheiros, cores, sabores, livros, lugares, climas, paisagens ...
      Isso é muito bom!
      beijos,
      Ethel

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  2. Tio Duth, Grande Eduardo,

    Muito legal o que vc. escreveu, as lembranças são ótimas e nosso carinho e respeito por vocês só fez aumentar ainda mais.
    Nossa família adorou e curtiu muito essas etapas de nossas vidas com você e com meu compadre Tinoco.
    abraços, muito bom relembrar esse tempo maravilhoso
    Roberto Carvalho

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  3. Tio,
    muito difícil resumir em poucas palavras a grande felicidade e o grande prazer que era frequentar a casa de Muri. Simplesmente fantástico!
    Aproveitei muito e agradeço a você por ter me dado a oportunidade de conhecer um pedaço do paraíso no mundo.
    Coisas aconteceram e, hoje, nos despedimos de Muri, mas com a certeza com muito memória emocionante e feliz.
    beijos
    Renata

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  4. A todos, muito obrigado, sei que guardarei as lembranças para sempre. Vocês são muito queridos. bjs, Eduardo.

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  5. Your post is very interesting information about related topic is awesome. I was finding this type of information from long time. I think you should going on to make this type of blog.

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  6. sem querer cheguei ao seu blog, desculpe-me se sou inconveniente mas gostei do que você contou do seu sítio, e pensei que gostaria muito de continuar essa história, ao meu modo. peço licença e pergunto; você poderia me dizer qual a imobiliária que ele está à venda? tenho procurado muitos em Mury, quem sabe já o vi, amanhã mesmo vou até lá ver um muito bonito. aguardo, portanto, e mais uma vez, perdoe se me meti onde não fui chamada...
    meu nome; ana maria. meu email: cardoso1898@oi.com.br

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